Por que não posso simplesmente fechar meus olhos e deixar que esta onda quente e sutil me leve para onde eu devo ir ou onde quero estar? Se tudo que eu tenho é nada e é muita coisa, por que se prender a algo que não existe e fere ao mesmo tempo? Pra que esperar pelo inevitável se está logo adiante? Mas os grilhões do medo e da insegurança me prendem ao chão, quando as asas de minha imaginação me põem a voar ao céu, ao seu encontro, onde lhe pego pela mão e o levo comigo. Porém, o medo me possui. Medo de ser um grande equívoco, medo de ferir e ser ferida.
Quando a realidade vira o pessimismo, não se pode esperar nada de feliz de si mesmo, pois o certo não existe e a felicidade paira num reino distante, numa possibilidade futura, que me foge as mãos e isso não pode ser mudado. Conclui que a solução está na paciência, mas a ansiedade corrói por dentro. E, enquanto espero, vejo-me no impulso de correr em sua direção, pois sei que espera sozinho, e não posso aguentar a aflição. Então venha para mim, enquanto vou ao seu encontro. E num abraço, nos uniremos. E nesse sentimento, nos completaremos.
- Marli Cantarino